Redação sobre evasão escolar: argumentos e proposta
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Os argumentos mais sólidos sobre evasão escolar costumam vir de três causas: a necessidade de trabalhar, uma escola que parece distante da vida do aluno e a falta de acolhimento dentro e fora da sala. Escolha uma delas como eixo da tese, use as outras como apoio ou como contraponto, e feche com uma proposta que ataque justamente a causa escolhida.
Antes de escolher, leia a frase temática
Grife as palavras que definem o recorte. Se a frase fala em “enfrentar” a evasão no ensino médio, você precisa de caminhos de solução, não só de diagnóstico. Se fala em “jovens brasileiros”, cuidado para não tratar qualquer criança como exemplo. Texto sobre educação infantil ou sobre a escola primária, por mais bem escrito que seja, sai do tema.
Os textos motivadores da prova são sua matéria-prima. Se um deles citar renda, transporte ou trabalho infantil, use-o como ponto de partida, mas não copie o dado. Os dados que você usa precisam vir de fontes que você consegue confirmar.
Argumento 1: a necessidade de trabalhar
Muitos jovens deixam a escola porque precisam ajudar em casa ou se sustentar. Aqui, a relação de causa e efeito é direta, e isso ajuda a construir um parágrafo claro.
Uma forma de desenvolver: o problema não é falta de vontade do aluno, mas a escolha forçada entre estudar e garantir o básico. Você pode lembrar que a Constituição trata a educação como direito de todos e dever do Estado. Se a escola exige presença integral enquanto a família depende de renda imediata, o direito fica só no papel.
Frase de exemplo, que você pode adaptar: “Quando o diploma compete com o salário do fim do mês, o aluno não abandona a escola por desinteresse, abandona por uma conta que ninguém o ajudou a equilibrar.”
Argumento 2: uma escola que não faz sentido
Aqui entra o currículo. Quando as aulas parecem alheias ao cotidiano do estudante, a permanência perde força, sobretudo no ensino médio, em que a pressão por escolha profissional já é grande.
Para dar profundidade a esse argumento, use repertório sociocultural. Paulo Freire, em Educação como prática da liberdade, defende uma educação que dialogue com a realidade de quem aprende. Você não precisa citar páginas. Basta mencionar a ideia e mostrar como ela se conecta ao seu tema.
Ponto de atenção: não diga apenas que “a escola precisa ser mais interessante”. Explique o que muda quando o conteúdo conversa com a vida do aluno.
Argumento 3: falta de acolhimento
Violência no entorno, distância até a escola, problemas de saúde mental, relações difíceis com professores e colegas. Esse argumento mostra que a evasão não é uma decisão isolada, é o fim de um processo.
Use-o para ampliar o olhar. Se você usou o trabalho como causa principal, esse terceiro ponto mostra que outros fatores agravam a situação. Isso demonstra que você entendeu o problema como um conjunto, o que costuma pesar bem na Competência II.
Como escolher o seu eixo
- Se o texto motivador fala de renda, trabalho ou família, use o argumento 1 como tese e o 3 como reforço.
- Se o foco da frase temática está na escola, no ensino ou no currículo, use o argumento 2 como eixo.
- Se o tema menciona violência, transporte ou saúde, o argumento 3 pode ser a sua tese, desde que você explique por que ele leva ao abandono.
Em qualquer caso, a tese deve aparecer no fim da introdução e ser retomada na conclusão, com a proposta.
A proposta de intervenção
A proposta precisa ser uma ação concreta, com agente, meio, finalidade e detalhamento. Ela deve atacar a causa que você escolheu.
Se a sua tese é a necessidade de trabalhar, uma proposta possível seria: o Ministério da Educação, em articulação com as secretarias estaduais, poderia ampliar programas de bolsa vinculados à permanência, com critérios que considerem a renda familiar, para que o aluno não precise escolher entre o diploma e o sustento. Note que a proposta tem sujeito, verbo de ação e finalidade.
Se a tese é o currículo, a proposta pode envolver a revisão de conteúdos com a participação de estudantes e professores, de modo a conectar disciplinas à realidade local. Escreva de forma que o leitor entenda quem faz, o que faz e por quê.
Para montar esse trecho com cuidado, veja a página sobre proposta de intervenção no Enem.
Dois cuidados que derrubam nota
Não use “a sociedade”, “o governo” ou “as pessoas” como sujeitos genéricos da proposta. Diga quem faz. E não escreva um texto curto demais: a folha tem 30 linhas, e um texto abaixo do mínimo de linhas manuscritas é zerado. Confira as regras de zeragem na página sobre o que zera a redação e sempre confirme as regras atualizadas no gov.br/inep.
Se quiser ver como cada parágrafo se sai pelos critérios do Enem, você pode enviar sua redação para correção e comparar a nota por competência com o que você planejou.
A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.