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Exemplos de introdução de redação para o Enem

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Quatro aberturas funcionam bem no Enem: uma que parte de um fato histórico, uma que cita uma obra, uma que descreve uma situação concreta e uma que vai direto à tese. Todas seguem a mesma lógica: situar o leitor e deixar claro o que você defende.

O que a introdução precisa ter

A introdução faz duas coisas. Ela situa o leitor no assunto e apresenta a sua tese, que é o ponto de vista que o texto vai sustentar. Sem a primeira, o texto parece começar do meio. Sem a segunda, o leitor não sabe para onde você está indo.

Um caminho simples em três movimentos:

  1. Contexto: um fato, uma obra, um dado ou uma situação que mostre por que o tema importa.
  2. Problema: a questão levantada pelo tema, dita de forma específica.
  3. Tese: sua resposta, com as causas ou caminhos que você vai discutir.

Em quatro ou cinco linhas dá para fazer os três. Se a introdução ocupa boa parte da folha, ela está longa demais para o espaço de que você dispõe. Lembre que a prova pede 30 linhas, e a estrutura que costuma funcionar é de quatro parágrafos, sendo um de introdução, dois de desenvolvimento e um de conclusão. Veja a divisão completa em estrutura da redação do Enem.

Exemplos por tipo de abertura

1. Abertura por fato histórico

A Lei Áurea, assinada em 1888, pôs fim formal à escravidão no Brasil, mas não garantiu aos libertos e seus descendentes condições iguais para acessar terra, moradia e trabalho. Essa diferença de partida ainda se reflete nas desigualdades atuais, o que mostra que a abolição, sozinha, não bastou.

Por que funciona: o fato é verificável, se relaciona diretamente com o problema e já aponta a tese.

Cuidado: use apenas fatos que você conheça com segurança. Uma data errada ou um fato mal lembrado enfraquece o texto logo na primeira linha.

2. Abertura por obra literária

Em Dom Casmurro, Machado de Assis deixa o leitor sem resposta definitiva sobre a traição de Capitu. Essa ambiguidade serve de imagem para um problema atual: notícias e opiniões que chegam prontas, e que confirmam o que já pensamos, costumam ser aceitas sem exame. Por isso, desconfiar da narrativa fácil é uma habilidade necessária.

Por que funciona: a obra é citada com título e autor corretos, e o repertório entra no argumento, não como enfeite. A tese aparece no fim, com um recorte claro.

Cuidado: cite só obras que você conheça de fato. Se não lembra bem o enredo, a referência vira um ponto fraco.

3. Abertura por situação concreta

Imagine tentar chamar um aplicativo de transporte num bairro afastado do centro e ver a tela carregar sem fim. Quando o acesso a serviços digitais depende do endereço, a inovação deixa de ser avanço coletivo e passa a reforçar a exclusão. A promessa de que a tecnologia reduz desigualdades precisa, portanto, ser examinada a partir de quem fica de fora.

Por que funciona: a cena é reconhecível e não depende de números que você talvez não consiga confirmar. A tese surge depois do problema, e o último período antecipa o que será examinado.

Se usar um dado: cite apenas números cuja origem você saiba indicar. Para conferir estatísticas oficiais, procure a fonte primária, em vez de repetir um número de segunda mão.

4. Abertura direta pela tese

A valorização da escola pública não se faz só com discursos. Ela depende de condições de trabalho e de formação continuada para os professores. Este texto defende que a falta de investimento em formação é uma das causas centrais da desmotivação docente.

Por que funciona: é objetivo e evita rodeios. Serve bem quando o tema é específico e você não tem um contexto forte o bastante para abrir com ele.

Cuidado: a tese precisa de uma causa identificável. Se ela soar como slogan, a banca não tem o que avaliar.

Como adaptar ao seu tema

Os exemplos acima não são fórmulas para trocar de assunto e manter. Se você só substituir o tema e preservar a estrutura, a abertura fica genérica. Antes de escrever, responda por escrito:

  • Qual é o problema exato, com recorte (quem é afetado, onde, desde quando)?
  • Qual é a minha tese em uma frase?
  • Qual fato, obra ou situação eu conheço bem o bastante para usar?

Se não souber responder à terceira pergunta, troque o repertório. Um repertório mal usado pesa mais do que a ausência dele. Para escolher referências que sustentem a tese, veja o guia de repertório sociocultural.

Erros que enfraquecem a introdução

  • Começar com "Desde os primórdios" ou "Ao longo da história", que é vago e não situa ninguém.
  • Repetir o enunciado sem acrescentar nenhum recorte.
  • Escrever "neste texto vou falar sobre..." sem dizer o que você pensa.
  • Usar uma frase de efeito que não tem relação com o argumento.
  • Escrever uma introdução mais longa que o próprio desenvolvimento.

As regras de correção e de aplicação da prova estão no site oficial do Inep. Confira lá as informações atualizadas antes de cada edição.

A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.