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Introdução da redação: o que escrever e como começar

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A introdução de uma redação dissertativa precisa fazer duas coisas: mostrar do que o texto trata e dizer qual é o seu ponto de vista sobre isso. Se ela faz só a primeira, o leitor sabe o assunto, mas não sabe para onde você vai. Se faz só a segunda, a tese aparece sem contexto e parece saída do nada.

Três introduções para comparar

Imagine o tema hipotético "o uso excessivo de celulares entre crianças". Veja três formas de começar.

Versão 1: "O celular é muito importante na vida das pessoas e isso tem trazido várias discussões na sociedade."

Essa frase não diz nada. Serve para qualquer tema com a palavra "celular", e por isso não mostra nenhuma escolha do autor. Não há recorte nem tese.

Versão 2: "Desde que os smartphones chegaram às mãos de crianças cada vez mais novas, a infância mudou de cara. Os brinquedos foram substituídos por telas, e o problema precisa ser enfrentado pela família e pela escola."

Aqui já há um recorte (crianças, telas) e uma tese (o problema precisa ser enfrentado por família e escola). Ainda falta dizer por que isso importa e quais caminhos o texto vai discutir. Mas o leitor já sabe o rumo do texto.

Versão 3: "A infância, que deveria ser tempo de brincar e explorar o mundo, tem sido ocupada por telas que prendem a atenção antes que a criança aprenda a regular o próprio tempo. Esse cenário não é apenas uma questão de hábito individual: ele revela a dificuldade de famílias e escolas em definir limites claros, e por isso o debate precisa passar por políticas de orientação e por uma convivência mais atenta entre adultos e crianças."

Essa versão situa o leitor, apresenta o problema, e a tese está explícita no fim. Também antecipa dois caminhos que o desenvolvimento pode seguir: a responsabilidade de famílias e escolas e a necessidade de orientação. Repare que ela não tem nenhuma frase decorada. Foi escrita para esse tema e esse recorte.

O que as três têm em comum

Uma introdução que funciona costuma ter, nesta ordem:

  1. Um ponto de partida ligado ao tema: um fato, um contexto, uma situação observável, uma referência cultural que você conheça bem.
  2. O problema, dito com precisão.
  3. Sua tese, com as causas ou os caminhos que o texto vai discutir.

A ordem não é uma fórmula rígida. O ponto de partida pode vir depois do problema, ou a tese pode ser a primeira frase. O que não pode faltar é a clareza sobre o que você defende.

Como escrever a sua

Escreva a tese antes da introdução. Responda em uma frase: "Eu defendo que ___ porque ___". Se você não consegue completar, a introdução ainda não tem onde se apoiar.

Depois, escolha um ponto de partida que tenha relação direta com o argumento. Uma referência cultural só ajuda se for usada para dizer alguma coisa sobre o tema. Citar um livro sem conexão com o problema não melhora o texto.

Reescreva a frase de abertura quando ela for genérica. Se ela serve para qualquer redação, troque por algo que só funcione para o seu tema.

Mantenha a introdução curta. Com a folha de 30 linhas, uma boa referência é não ocupar mais que um quinto dela. Ela precisa ser clara, não longa. Se você não consegue dizer a tese em poucas linhas, o problema está no planejamento, não no espaço.

Por último, releia a introdução sozinha e pergunte: um leitor que nunca viu o tema entende o assunto e sabe o que vou defender? Se a resposta for sim, a introdução cumpre o papel.

Lembrete sobre a estrutura geral

A introdução é uma das quatro partes do texto. Se você ainda não sabe como dividir o restante, veja o roteiro de estrutura da redação do Enem, que mostra como distribuir as linhas. Para dar mais força aos argumentos do desenvolvimento, o guia de repertório sociocultural ajuda a escolher referências que realmente sustentam a tese.

A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.