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Citações na redação do Enem: quando usar e como

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Use citação na redação do Enem quando ela ajudar a provar a sua tese. Se ela só enfeita o parágrafo, a banca percebe e você ganha pouco com isso.

Antes de tudo, uma distinção que muda a decisão. Citação é repetir a frase de um autor entre aspas. Repertório é um conceito mais amplo: pode ser um livro, um filme, um estudo, um fato histórico, uma lei. Você não precisa de citação literal para ter repertório. Muitas vezes a paráfrase, com o nome da obra ou do pensador, funciona melhor e corre menos risco.

Se você lembra a frase exata e tem certeza das palavras

Pode citar, desde que o trecho se encaixe no que você está defendendo. Coloque o autor e a obra, e no parágrafo explique por que aquela ideia prova o seu ponto. Uma citação solta, seguida de nada, não conta como argumento.

Se você lembra a ideia, mas não as palavras

Parafraseie. Escreva a ideia com suas palavras e indique a fonte, por exemplo: "como mostra Gilberto Freyre em Casa-Grande & Senzala…". Não coloque aspas numa frase que você reconstruiu de memória. Se a banca conferir e a frase não existir, o texto perde credibilidade.

Se você não tem certeza nem da ideia exata

Não invente. Troque por um fato verificável ou um exemplo concreto, como uma lei, um dado histórico que você conhece bem ou um caso real de conhecimento geral. Um exemplo bem explicado vale mais do que uma citação mal lembrada.

Se a citação não conversa com o tema

Descarte. A frase pode ser bonita e famosa, mas se ela não toca o recorte da proposta, o repertório fica decorativo. Ler a frase temática com atenção ajuda a ver o que precisa ser discutido, e a citação precisa estar dentro desse recorte.

Se você pensa em reproduzir um texto inteiro decorado

Não faça isso. Trechos longos de textos de apoio ou de outras redações memorizadas podem ser tratados como cópia, e a cópia está na lista de casos que zeram a redação. A Cartilha do Inep explica os critérios; confira lá antes da prova, em gov.br/inep.

Como encaixar a citação no parágrafo

Um jeito que funciona: a tese vem primeiro, depois o repertório, depois a explicação e, por fim, a ligação de volta ao argumento. Veja a lógica com um exemplo inventado para ilustrar a estrutura:

Se o tema fala de envelhecimento, a tese pode ser que a sociedade trata a velhice como perda de utilidade. O repertório entra aqui: uma obra que retrata esse olhar sobre a idade. Depois você explica como esse olhar aparece hoje, no mercado de trabalho ou na família, e termina mostrando por que isso afeta a proposta de intervenção.

O exemplo serve só como modelo de encadeamento. Quem escreve é você, com a sua obra e o seu raciocínio.

O que evitar

  • Frases de efeito sem autor identificado, que parecem sabedoria popular.
  • Citações atribuídas a quem não disse aquilo. Se não tem certeza da autoria, não use.
  • Repertório jogado no começo sem voltar a ele no desenvolvimento.
  • Repetir a mesma obra em todas as redações, mesmo quando ela não cabe no tema.

Se quiser ver como o repertório entra na nota por competência, o guia sobre repertório sociocultural mostra a diferença entre citar e usar. Depois de escrever, a correção de redação aponta os trechos em que o repertório ficou solto e os que estão funcionando.

A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.