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Citações para qualquer redação: o que usar de verdade

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Não existe uma frase pronta que sirva para qualquer redação. Uma citação genérica, do tipo que aparece em listas de internet, soa vazia e, na correção, costuma virar repertório decorativo. O que serve para quase qualquer tema é um pequeno conjunto de referências que você conhece bem e consegue explicar sem decorar.

O que funciona em qualquer tema

Os artigos da Constituição Federal de 1988 são o caminho mais seguro, porque você pode conferir o texto e a numeração. Alguns que aparecem em muitos temas:

Referência Serve para discutir Ideia para usar
Art. 5º da Constituição Direitos, igualdade, liberdades Igualdade formal no papel e desigualdade na prática
Art. 196 Saúde, acesso a serviços Saúde como dever do Estado, mas nem sempre garantida na ponta
Art. 205 Educação, cidadania Educação como direito de todos e dever do Estado e da família
Art. 225 Meio ambiente, responsabilidade Preservar para as gerações futuras, não só para o presente

Você não precisa citar o artigo com as palavras exatas. Basta mencionar o que ele garante e mostrar por que aquilo não se cumpre em um ponto específico do seu texto.

Fora da lei, vale a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, que trata do direito à educação e à saúde. Também funcionam obras que você leu de verdade, como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, para falar de desigualdade e de exclusão, ou 1984, de George Orwell, para discutir vigilância e controle de informação. O curta Ilha das Flores, de Jorge Furtado, serve para pensar desigualdade social e consumo.

Como usar sem cair na citação decorativa

Uma referência só ajuda se trabalhar pelo seu argumento. Faça assim:

  1. Diga, com as suas palavras, qual é a ideia central da referência em uma frase.
  2. Explique como essa ideia se conecta ao problema do seu tema.
  3. Conclua o que ela mostra para o caso que você está discutindo.

Por exemplo, se o tema fala de evasão escolar, você pode lembrar que a Constituição trata a educação como dever do Estado e da família, e então perguntar por que tantos jovens deixam a escola antes de concluir o ensino médio. A referência entra como ponto de partida, e o raciocínio é seu.

Repertório também precisa ser verdadeiro. Se você não tem certeza de um nome, de uma data ou de um trecho, não invente. Um argumento bem desenvolvido, sem citação nenhuma, vale mais do que uma citação errada.

Três cuidados

  • Não copie trechos dos textos motivadores. Linhas copiadas não contam como repertório, e ficar preso a eles limita a sua nota.
  • Prefira poucas referências bem entendidas a uma lista de dez que você mal conhece. Três referências que você explica com segurança rendem mais do que oito citadas por alto.
  • Use referências que sirvam a mais de um tema. Treine ligar cada uma a dois ou três assuntos diferentes. Assim, você sai da prova com um repertório que funciona no tema que cair.

Para entender o que a banca espera desse tipo de referência, leia o guia sobre repertório sociocultural. Se quiser testar seus argumentos com um tema novo, veja a lista de temas de redação Enem para treinar.

A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.