Canetada

Citações para redação sobre racismo: o que usar

Publicado em

Use referências que você conhece bem e que explicam algo concreto do seu argumento. Para racismo, as mais seguras são obras brasileiras e a própria Constituição, porque você consegue descrever a ideia com suas palavras, sem depender de uma frase exata que talvez não exista.

Referências que funcionam bem

Silvio Almeida, Racismo Estrutural (2018). O autor defende que o racismo não é só atitude individual: ele se organiza dentro de instituições, regras e práticas que se repetem. Serve para explicar por que a desigualdade persiste mesmo sem discriminação explícita.

Abdias do Nascimento, O Genocídio do Negro Brasileiro (1978). Ele discute como o Estado e a sociedade brasileira produziram exclusão da população negra, com efeitos na educação, na saúde e no emprego. Bom para tratar de políticas e de memória histórica.

Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo (1960). Diário de uma mulher negra que vivia na favela em São Paulo. Você pode usá-lo para mostrar a distância entre a cidadania prevista em lei e a vida real de quem é excluído, sem precisar transcrever trechos.

Lélia Gonzalez. Pensadora que analisou a intersecção entre racismo e sexismo na formação social brasileira. Útil se o seu tema tocar em mulheres negras ou no mito da democracia racial.

Constituição Federal de 1988, art. 5º. O texto determina que a prática do racismo é crime, inafiançável e imprescritível. Essa é uma referência de lei que pode sustentar uma proposta de intervenção, porque mostra que o problema já tem base jurídica e falta cumprimento.

Lei 7.716/1989, que define os crimes de preconceito de raça e cor, e a Lei 12.711/2012, a chamada Lei de Cotas, também servem como repertório legal. Confira o texto completo no site do Planalto antes de citar qualquer detalhe.

Erros comuns, com a versão corrigida

Erro 1: a citação que não faz nada. "Como disse um grande pensador, o racismo é uma injustiça, por isso precisamos combatê-lo." Tire a frase e nada muda. Compare: "Silvio Almeida, em Racismo Estrutural, sustenta que o racismo se reproduz nas instituições. Por isso, uma seleção de emprego que nunca chama candidatos com determinado nome pode ser racista mesmo sem ninguém assumir isso."

Erro 2: frase atribuída a alguém sem certeza do texto. Muita citação de internet é apócrifa ou está mal traduzida. Se você não tem o texto na mão, parafraseie e nomeie a obra: "Abdias do Nascimento denunciou o genocídio da população negra no Brasil". A correção pesa mais a clareza do uso do que a exatidão de uma data.

Erro 3: o pensador solto, sem ligação com a tese. Se a sua tese é que a escola precisa discutir racismo desde cedo, citar Lélia Gonzalez só como nome de peso não ajuda. Ligue: "A ideia de democracia racial, criticada por Lélia Gonzalez, ainda aparece quando a escola trata a história afro-brasileira como tema de um só mês do ano."

Erro 4: a proposta que não nasce do repertório. Se você citou a Lei de Cotas no segundo parágrafo, a proposta de intervenção pode retomar essa referência para dizer o que falta: fiscalização, acompanhamento ou ampliação dos mecanismos. Veja como montar esse elo em proposta de intervenção Enem.

Como escolher a sua

Escolha uma ou duas referências, não cinco. Para cada uma, escreva em uma frase o que ela diz, com as suas palavras. Depois, teste: se você conseguir ligá-la a outro tema, como desigualdade de renda ou evasão escolar, ela é flexível o bastante para o repertório. Se só funciona para racismo, pode ser ótima, mas confirme que ela resolve um problema do seu texto.

Se quiser entender a diferença entre repertório produtivo e decorativo com mais exemplos, leia sobre repertório sociocultural.

A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.