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Competências 2 e 3 do Enem: o que cada uma avalia

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Competência II avalia se você entendeu a frase temática e escreveu um texto dissertativo-argumentativo. Competência III avalia se você selecionou, relacionou e organizou informações e argumentos em defesa de um ponto de vista. As duas valem de 0 a 200 pontos, nos níveis 0, 40, 80, 120, 160 e 200.

Competência II: entender o tema e argumentar

Aqui a pergunta é: você respondeu ao tema que foi proposto, no formato certo?

Para chegar a 200, sua argumentação precisa ser consistente e seu repertório sociocultural precisa ser produtivo. Repertório produtivo é uma informação de outra área do conhecimento que você usa de fato para sustentar a sua ideia. Citar um filósofo que não tem nada a ver com o que você defende não basta. Também não conta quando o repertório aparece como enfeite no meio do parágrafo.

O erro mais comum nesta competência é o tangenciamento: escrever sobre o assunto amplo e esquecer o recorte pedido. Se a frase fala do acesso à leitura e você escreve sobre o hábito de ler de forma geral, você está fora do recorte. O tangenciamento limita a Competência II a 40 pontos, e ele também limita a III e a V ao mesmo valor. Já a fuga total ao tema zera a redação inteira. Se quiser entender a diferença com calma, veja o que zera a redação do Enem.

Competência III: organizar o argumento

Aqui o avaliador olha para o projeto do texto. Cada parágrafo de desenvolvimento deve defender uma ideia, e essa ideia deve estar ligada à tese da introdução. Um texto que lista três motivos soltos, sem relação entre eles, fica muito abaixo de um que constrói uma linha de raciocínio.

Um teste simples: pegue cada parágrafo e pergunte o que ele prova em relação à tese. Se a resposta for "nada, é só mais um exemplo", a sua argumentação está frouxa.

Antes e depois, com um tema inventado

Imagine a frase temática: "Desafios para o acesso à leitura no Brasil".

Versão fraca, no primeiro parágrafo de desenvolvimento:

A leitura é importante para as pessoas. Muitos brasileiros não leem, e isso traz problemas para o país. Por isso, é preciso pensar nessa questão.

O texto fala de leitura em geral, não de acesso. Não há repertório, não há causa, e o parágrafo não se conecta com a tese.

Versão mais forte:

O acesso à leitura depende de mais do que a escola oferecer livros. Paulo Freire, em A importância do ato de ler, defende que a leitura da palavra vem depois da leitura do mundo, ou seja, a criança precisa reconhecer sua realidade antes de decifrar textos que não lhe dizem respeito. Quando bibliotecas ficam longe de comunidades periféricas, o livro chega como algo alheio, e o hábito não se forma. Por isso, a questão é de proximidade e de sentido, e não apenas de estoque de livros.

O que mudou: o recorte virou "acesso", não "hábito"; o repertório de Freire entra para explicar uma causa, não para decorar o texto; e cada frase prepara a seguinte, até chegar a uma conclusão que retoma a tese. Essa é a lógica que a Competência III procura.

Como treinar as duas

Antes de escrever, anote o recorte em uma frase e confirme que cada parágrafo responde a ele. Depois de escrever, faça o teste de cada parágrafo descrito acima. Para o repertório, pergunte se você consegue explicar em duas linhas por que a informação ajuda o seu argumento. Se não conseguir, troque por outra.

Para ver o conjunto das cinco competências e a pontuação de cada uma, veja as competências da redação do Enem. Para entender melhor o que conta como repertório, confira repertório sociocultural.

A grade completa, com as descrições oficiais de cada nível, está no Inep. Confirme as regras vigentes em gov.br/inep antes da sua prova.

A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.