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Redação sobre desigualdade social: tese e argumentos

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Para escrever uma redação dissertativa sobre desigualdade social, comece escolhendo um recorte: em vez de dizer que a desigualdade existe, diga qual aspecto dela você vai defender e qual é a causa que você vê como principal.

Por que o recorte decide a nota

"Desigualdade social" é um tema amplo. Se você escrever sobre ele em geral, sem responder ao que a frase temática pede, cai no tangenciamento. Esse desvio tem um custo específico: ele limita a própria Competência II a 40 pontos, e as competências III e V também não passam desse mesmo valor. Ou seja, um texto bem escrito pode perder muito só por não ter foco.

Fuga total ao tema é outra coisa, e é pior: zera a redação inteira. Por isso, antes de escrever a primeira frase, releia o enunciado e os textos motivadores e pergunte que recorte eles sugerem. Desigualdade de renda, de acesso à educação, de moradia ou de oportunidades entre regiões são caminhos diferentes, e cada um pede argumentos próprios.

Como montar a tese e os parágrafos

Uma tese boa diz o problema, a causa e a direção que você defende. Compare duas versões:

  • "A desigualdade social é um problema grave no Brasil." É verdadeira, mas serve para qualquer texto sobre qualquer tema parecido.
  • "Como a escola de periferia tem menos professores por turma, a diferença de aprendizado entre bairros vira diferença de renda na vida adulta." Tem recorte, causa e um caminho para discutir.

Na introdução, situe o leitor e apresente a tese. Você pode abrir com um fato histórico, uma obra ou um dado que conheça com segurança, desde que ele sirva ao argumento. Não decore uma abertura pronta: quase sempre ela não encaixa no recorte que você escolheu.

Nos parágrafos de desenvolvimento, cada um precisa levar à tese. Um teste simples: pergunte por que aquele parágrafo existe. Se ele puder sair sem que a ideia central perca algo, ele não está ajudando. Use repertório que trabalhe pelo argumento, como uma informação de outra área (economia, história, sociologia) que sustente o que você afirma, e não apenas uma citação para enfeitar.

A proposta de intervenção

A proposta precisa ter cinco elementos: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento. Os erros mais comuns nessa parte são previsíveis:

  • Agente genérico. "A sociedade" ou "alguém" não dizem quem vai agir. Prefira um órgão ou ente que realmente tenha poder sobre o problema que você discutiu.
  • Meio ausente. Dizer o que deve ser feito sem explicar como.
  • Agente impossível. Pedir a uma escola que mude uma lei, por exemplo, não funciona.
  • Proposta desligada do texto. Ela precisa responder aos argumentos que você desenvolveu.
  • Detalhamento esquecido. É o elemento que mais falta. Em uma ou duas frases, explique como a ação funcionaria, sem sair do tema.

Atenção também aos direitos humanos. Propostas que defendem violência, tortura, "justiça com as próprias mãos" ou discurso de ódio recebem zero nessa parte.

Como revisar antes de entregar

Leia a introdução e confira se ela anuncia exatamente o que você vai defender. Depois, veja se cada parágrafo responde à tese e se a proposta final retoma o que foi discutido. Se algum desses elos estiver solto, é ali que a nota costuma cair.

Para entender melhor como cada parte é avaliada, veja as competências da redação do Enem. Se a proposta é o seu ponto fraco, o guia de proposta de intervenção mostra cada elemento com mais detalhe.

Confirme as regras de pontuação, a estrutura oficial e as datas da prova no site do Inep (gov.br/inep), porque elas podem mudar de edição para edição.

A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.