Pandemia na redação: como escrever sem cair no clichê
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Sim, dá para escrever sobre a pandemia, mas como exemplo de um problema social, não como lembrança pessoal. A banca quer uma tese sobre o tema, não o relato de como foi ficar em casa.
O erro mais comum: narrar em vez de argumentar
Abertura do tipo "Em 2020, o mundo parou e todos ficaram em casa" descreve um cenário que todo mundo conhece. Ela não afirma nada que você precise defender depois.
Compare:
- Fraca: "A pandemia foi muito difícil para todos e mostrou como somos frágeis."
- Forte: "A pandemia expôs que o acesso à internet não é igual para todos, e estudantes sem computador em casa ficaram mais tempo sem aula."
A segunda frase tem recorte (acesso à internet e continuidade escolar) e uma relação de causa que você pode sustentar ao longo do texto. A primeira serve para qualquer crise, em qualquer lugar.
Escolha um recorte antes de escrever
"A pandemia" é grande demais para 30 linhas. Escolha um aspecto e conecte-o à frase temática da prova. Alguns caminhos possíveis:
- o efeito da crise sobre a saúde mental de jovens e a falta de apoio para tratá-la;
- a circulação de informações falsas e o papel das redes sociais na confiança em medidas de saúde;
- a desigualdade de acesso a atendimento de saúde, escola ou trabalho remoto;
- a dificuldade de manter políticas de prevenção quando não há planejamento de longo prazo.
Com o recorte definido, a tese fica mais fácil de formular. Ler a frase temática com atenção evita o tangenciamento, que é falar de algo próximo sem responder exatamente ao que foi pedido.
Use repertório que trabalhe pelo seu argumento
Citar uma obra só para preencher linha não ajuda. Se você conhece A Peste, de Albert Camus, use o livro para explicar algo específico, como a dificuldade de uma comunidade agir diante de um mal coletivo, e ligue isso ao seu recorte. A relação entre a obra e o argumento é o que separa repertório de enfeite.
Dados e fatos também funcionam, desde que você tenha certeza da informação. Número errado ou inventado enfraquece o texto inteiro. Se não tiver segurança sobre um dado, prefira um raciocínio que você consiga defender com lógica.
Termine com uma proposta de intervenção
Esta é a parte que muita gente deixa de lado. Uma forma útil de organizar a proposta é pensar em quem faz, o que faz, como faz, para qual finalidade e com quais detalhes. Por exemplo: "O Ministério da Educação, em parceria com as secretarias estaduais, poderia distribuir chips com acesso à internet a estudantes da rede pública, por meio de um programa com metas anuais, para reduzir a evasão em crises sanitárias." Essa é uma sugestão de estrutura, não uma regra escrita da prova. A proposta também precisa respeitar os direitos humanos.
Para entender cada parte, veja a página sobre proposta de intervenção no Enem.
Como saber se o texto está no caminho
Os critérios de cada competência estão na lista oficial, que você encontra no site do Inep (gov.br/inep). Um texto sobre pandemia pode ter gramática impecável e ainda assim tangenciar o tema, ou ter bom repertório e pouca coesão. Para entender o que cada competência observa, leia as competências da redação do Enem.
Escreva o texto, releia com a frase temática ao lado e confira se cada parágrafo responde ao recorte que você escolheu. Depois envie para correção: você recebe a nota estimada por competência e os trechos que mais pesaram, o que ajuda a reescrever com foco.
A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.