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Parágrafo de desenvolvimento: exemplo fraco e forte

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Um bom parágrafo de desenvolvimento apresenta uma ideia, explica por que ela é verdadeira e a amarra à tese. Veja a mesma ideia escrita de dois jeitos.

Imagine que a tese do texto seja: a família precisa criar momentos sem telas para proteger a infância. O primeiro desenvolvimento poderia ser assim:

O uso excessivo de celulares por crianças é um problema grave e preocupante. Isso prejudica a saúde e o aprendizado delas. Por isso, a questão merece atenção de todos.

O parágrafo não está errado, mas não sustenta nada. Ele diz que o problema existe, repete a mesma ideia com outras palavras e termina em uma frase vazia. Se você tirar esse parágrafo do texto, a tese não sente falta dele.

Agora, a versão que trabalha:

A exposição precoce às telas reduz o tempo que a criança passa em brincadeiras que exigem movimento e conversa com adultos, e é justamente nessas brincadeiras que se desenvolvem a linguagem e a coordenação. Quando a rotina da casa gira em torno do aparelho, a criança aprende a esperar estímulos prontos, em vez de inventar o próprio jogo. Esse hábito cria uma atenção curta que a escola depois precisa reconstruir. Portanto, organizar horários sem telas não é só controlar um aparelho: é preservar o espaço em que a infância aprende a pensar.

O que mudou

A diferença não está no tamanho nem no vocabulário mais sofisticado. Está na construção:

  • A ideia tem um mecanismo. A versão fraca afirma que há prejuízo. A forte mostra como o prejuízo acontece: menos brincadeira que exige movimento, menos conversa, menos invenção.
  • A explicação vem antes da conclusão. Cada frase prepara a seguinte. O leitor entende por que a afirmação é verdadeira antes de chegar ao fechamento.
  • O fechamento retoma a tese. A última frase da versão forte liga o parágrafo à família e ao espaço sem telas, que é exatamente o que o texto defende. A versão fraca termina com "a questão merece atenção de todos", uma frase que serviria para qualquer tema.
  • Os conectivos têm função. "É justamente nessas brincadeiras", "em vez de", "portanto" indicam relação lógica. Conectivos variados ajudam a mostrar que você está encadeando raciocínios, e não apenas listando frases.

Como testar o seu parágrafo

Antes de dar o parágrafo por pronto, faça estas perguntas:

  1. A frase inicial é uma afirmação ou já é um argumento? "A falta de investimento agrava o problema" ainda precisa ser explicada.
  2. Existe uma frase que mostre como a ideia funciona na prática, com um exemplo, um dado de repertório ou uma comparação?
  3. A última frase conversa com a tese, ou só encerra o assunto?
  4. Se você removesse o parágrafo, o texto perderia um argumento? Se não perder, ele não está ajudando.

Se o repertório entrar no parágrafo, ele precisa trabalhar pelo argumento. Uma referência de psicologia, por exemplo, serve para explicar por que a atenção se forma de certo jeito. Usada só como enfeite, não convence ninguém. Você encontra mais sobre isso em repertório sociocultural.

Onde esse parágrafo cabe

Na estrutura mais comum, com quatro parágrafos, a introdução apresenta a tese e os dois parágrafos de desenvolvimento tratam de uma ideia cada um. Não existe um número obrigatório de parágrafos no Enem, mas essa divisão cabe bem nas 30 linhas da folha. Para ver como ela funciona do começo ao fim, leia a estrutura da redação do Enem.

Se o seu texto tem ideias, mas os parágrafos parecem se repetir ou não avançar, o problema costuma estar na organização dos argumentos. A competência III avalia exatamente isso: se os argumentos se relacionam e caminham para uma conclusão.

A Canetada é independente e não tem vínculo com o Inep nem com o MEC. Confira datas e regras em gov.br/inep. A nota da correção é uma estimativa de treino.