Tipos de argumento para redação do Enem, com exemplos
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Os principais tipos de argumento são causa e consequência, exemplificação, comparação, autoridade, definição e princípio ético. Cada um responde a uma pergunta diferente do leitor, e vale decidir qual pergunta você quer responder antes de escrever o parágrafo.
Os exemplos abaixo são ilustrativos, criados só para mostrar a forma de cada tipo.
Causa e consequência
Explica por que um problema acontece ou o que ele provoca. Serve para tornar o problema compreensível para quem lê.
Exemplo: "Muitos jovens deixam a escola porque precisam trabalhar cedo. Sem concluir os estudos, a chance de um emprego melhor diminui, e a família tende a repetir esse caminho."
Exemplificação
Usa um caso concreto para mostrar que a afirmação não é só teoria. Pode ser um fato da história, uma situação do cotidiano ou um caso de outro país.
Exemplo: "Quando a linha de ônibus de um bairro distante é cortada, pacientes perdem consultas marcadas e o atendimento acaba concentrado em poucos postos. O problema não é de quem mora longe, é de planejamento."
Um cuidado: exemplo genérico convence pouco. Prefira um caso real que você saiba descrever com precisão. Se citar um número, use apenas dado que você consiga conferir na fonte original.
Comparação
Coloca duas situações lado a lado para destacar uma diferença ou semelhança que sustenta a tese.
Exemplo: "Tratar a falta de água como assunto só de quem vive na zona rural é como cuidar de uma mancha de umidade sem procurar o vazamento."
Autoridade
Traz a ideia de alguém reconhecido, como um pensador, um cientista ou uma lei. Esse tipo de argumento costuma trabalhar junto com o repertório sociocultural, que dá profundidade à defesa. Mencione apenas obras e autores que você tem certeza que existem, diga de onde vem a ideia e não invente citações entre aspas. Parafrasear costuma ser mais seguro do que citar de memória.
Exemplo: "Em Vigiar e Punir, Michel Foucault analisa como instituições disciplinares moldam comportamentos. Esse olhar ajuda a pensar a vigilância digital como questão social, e não só técnica."
Para entender como usar essas referências sem parecer decoradas, veja o texto sobre repertório sociocultural.
Definição
Esclarece um conceito antes de discutir. É útil quando o tema usa palavras que podem ser entendidas de formas diferentes, como "liberdade", "sustentabilidade" ou "desinformação".
Exemplo: "Desinformação não é apenas a mentira deliberada. Também é o excesso de informação sem checagem, que confunde o leitor e desgasta a confiança no que é verdadeiro."
Princípio ético ou moral
Apoia a tese em um valor amplamente reconhecido, como dignidade, igualdade ou respeito aos direitos humanos. Esse tipo conversa bem com a proposta de intervenção, que precisa respeitar os direitos humanos.
Exemplo: "Se a moradia digna é um direito social, tratar a ocupação de imóveis abandonados só como caso de polícia deixa de lado a pergunta sobre para que serve a propriedade."
A regra que todos seguem
Nenhum argumento funciona sozinho. Cada um precisa estar ligado à tese e levar ao passo seguinte do texto. Um bom teste é perguntar: este parágrafo defende o meu ponto de vista? Se a resposta for não, ele pode sair.
Na prática, a maioria dos textos combina dois ou três tipos. Você pode abrir com uma causa, sustentar com um exemplo real e fechar com uma referência de repertório. O que importa é que todos apontem para a mesma conclusão.
Isso se conecta com a Competência III, que avalia se os argumentos se relacionam e caminham para uma conclusão. Para ver os critérios completos, veja as competências da redação do Enem. Para decidir em qual parágrafo cada argumento entra, o roteiro está em estrutura da redação do Enem.
Ao terminar o rascunho, confira se cada parágrafo tem um argumento claro, se ele se liga à tese e se a proposta de intervenção fecha o texto com os cinco elementos.
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